6/08/2014

C.F.

Ontem escrevi-te, no meio do trabalho e da chuva,
Escrevi-te como se te visse ali, talvez
Comovido de ver-me mulher atarefada de pequeninos, talvez
Curioso, talvez
Silêncio....
Trago-te muito nos dias, como se traz tudo o que nunca se esquece e tudo o que se usa para ser gente.
Trago-te como uma mão essencial à sabedoria de mexer no mundo.

1/03/2013

2013

Este sofá mudou, não foi de sítio, foi de jeito. Eu estou aqui e doem-me as costas. O silêncio. 

Imaginei a cozinha cheia de sons e refogados e copos de vinho a escorrer pela garganta. Olho para ti. O sofá. Pareces triste. Eu com certeza estou à beira do rio. Pareces triste e apetece-me desvendar mapas do tesouro e perguntar se te vais embora um dia. Quer-me parecer que sim, ninguém vive assim com a cozinha apagada, a cheirar a mosaicos e limpo. Ninguém, talvez só eu e tu. Talvez... 

Doem-me os olhos de não chorar.

8/18/2012

Passam por mim. Tu dentro. Ela fora. E eu vou duvidando de ser eu.
O meu BI diz que tenho vinte anos. E uns trocos. Não sei...
Tantos anos atrás de uma água assim que se chorasse sem fim sobre o papel. Afinal afogou-me as palavras.

8/05/2012

Ainda não acredito.

5/18/2012

No teu sofá não serei mais. Uma criança, não serei mais. Sentar-me-ei, as nossas cabeças à mesma altura, as nossas mãos trazidas à tona do mesmo lodo. Terei café e mágoas para ti. No teu sofá serei uma mulher, uma mulher no meu canto antigo de criança e gatos curvada de joelhos demasiado grandes. Tenho a certeza que te entenderei menos, eras tão simples nos teus versos, pianos, rosas, na minha distracção sem altura sem anos...

3/09/2012

Esta suave Primavera que começa que se derrama luz no chão, como quando adormecia ao fundo da tua janela entre o gato e a tua roupa. Era simples assim, eu adormecida e tu ali, para sempre. 

12/19/2011

Tristes são os pombos com as patas secas, não sei se de frio se de maldade. O resto sou eu a apagar o cigarro na minha mão, curiosa de feridas.